1.8.05

UEEH...Reflexões

Bem demorei algum tempo a pensar como verbalizar aquilo que senti em Marselha nesta universidade das homossexualidades. As UEEH são provávelmente o maior encontro europeu de pessoas LGBT.
Este ano os temas mais em foco era a visibilidade lésbica e Trans. Durante o dia podia-se assistir a todo o tipo de workshops propostos por quem achasse necessário abordar determinado tema fosse ele qual fosse. Era um espaço auto gerido. De noite havia passagem de músicas e festas organizadas. As refeições eram geridas por aquilo que se chama cozinha solidária, ou seja toda a gente contribuia com dinheiro e com ajuda ( a cozinhar, a lavar e a fazer as compras necessárias).
Quase que se pode dizer que é um ambiente libertado, livre de qualquer tipo de preconceitos. É um ambiente em que qualquer pessoa sente o à vontade suficiente para fazer seja o que for, onde quer que seja desde que não interfira com a liberdade das pessoas que o rodeiam.
As pessoas têm uma disponibilidade para realmente conhecer novas pessoas e partilhar com elas experiências de vida muito diferentes. A proximidade pelo toque mesmo que embora a desconhecidos é incentivada e a vontade de o fazer é sentida por toda a gente.
Não deixou de ser um choque a integração à chegada, não deixou tb de ser um choque a integração novamente na heterolândia e no dia a dia.
Tive oportunidade de vivenciar experiências únicas como ver uma desmonstração de sexo seguro ao vivo promovido pela act-up francesa (incluindo um feisting anal), de estar numa sex party, de participar em ateliers de formação de sexo seguro para lésbicas (da qual nem sequer existe informação aqui em portugal e da qual irá surgir um panfleto de prevenção que nós panteras rosas estamos a trabalhar), de ter presenciado (embora já no fim) um golden shower ao vivo entre dois homens junto ao bar ( e não ter ficado sequer chocada por o estarem a fazer ao vivo), de ter aprendido a construir o meu próprio brinquedo sexual, de poder ter tido a oportunidade (embora não o tivesse feito) de exibir o meu corpo para fotografias ou videos ou pinturas ou qualquer outro tipo de intervenção artística na queer factory, etc, etc...
Foram dias unicos, libertadores à minha medida, mexeram comigo e não saí de lá a mesma pessoa que entrei.